segunda-feira, 16 de março de 2009

Nação na UFG

O show da nação zumbi sábado na ufg foi bom, mas não sei se foi melhor que isso.
Não conheço muito a profundamente mas acompanho a banda à distância.
O último cd deles 'Fome de Tudo' é orientado mais para o rock, com menos percussão que de costume, mas bastante eletrônico. Achei um album com algumas boas faixas e outras nem tanto.

O local era o novo centro de eventos da UFG, grandioso e moderno (o ar condicionado funcionando perfeitamente), embora a acústica fosse um pouquinho prejudicada pelo tamanho do espaço (é muito grande mermo).

O show tem energia, o som estava relativamente bom, e a banda tem categoria.
Mas falta pegada e que, realmente, transparece essa ausência.

O início foi muito bom, bastante enérgico e os músicos estavam exatos.
A música Carnaval realmente me surpreendeu. O tempo era tão complexo e quebrado que nem dava para seguir com o corpo! Muito linda
Porém a maioria das músicas vem com ritmo lento, mais do que nos álbuns. Talvez por isso, aquela vontade de dançar o tempo todo se esvai.
Aliada a isto, existiram problemas nas transições das músicas.
Nas transições dentro da música, onde a banda arriscava no experimental de uma passagem pra outra, senti nítida impressão de deslizes por parte dos músicos em muitos momentos. Não foram poucos.
O guitarra ainda arriscou uns sons a la Pink Floyd, e mostrou sua nítida formação rockeira: rascunhou nos inícios das músicas e solos partes de Purple Haze e outras do jimi, algo que lembrava metallica pela cadência e ataque, e aquele peso

Falta a pegada da voz do Chico Science nas músicas originais da banda com o Chico. O vocal do Jorge du Peixe, que era alfaia na banda (aquele tambor), é muito limitado. Falta a versatilidade da voz do Chico, a expressão, o feeling dele.

Por isso, ao tocarem as músicas do Chico Science, todas, sem exceção, foram rearranjadas (como disse o João Franco:"eles fazem covers do Chico Science!". E todos os arranjos tiveram a batida reduzida drasticamente, se arrastando.

Aí, quando um energúmeno como eu sente que pode cantar as músicas mais conhecidas da banda, logo logo a realidade bate e a conexão é perdida.

E ainda teve muito barulho e pouca harmonia.

sábado, 14 de março de 2009

Tokusatsu? Que porra é essa?

Mas te falar viu ...
Essa internet é coisa de louco.
Alias, esse planeta todo é muito louco! ainda bem que todo mundo é pirado nisso aqui =D
Seguindo um assobio, encontrei isso aqui ó:

Dá pra acreditar? O cara faz uma paródia dos seriados japoneses de 80 que passavam por aqui!
Aí depois fui ver, o trem não é paródia, é sério: o cara faz um 'jaspion' brasileiro de verdade, com historinha, personagens episódios (muitos) e tudo o mais.
Aí depois eu descobri que o nome disso é Tokusatsu

Porra... Os japoneses são tudo louco.
Aí depois eu percebi que o Jaspion, o Jiraya, o Jiban faziam parte da mesma franquia da Toei, que também faziam parte o National Kid, O Black Kamen Rider, o Changeman etc e mais etc.

Caramba, já fazem isso há 40 anos bicho!
E até hoje eles continuam fazendo aquelas mesmas coisas, inclusive o Kamen Rider tem até hj continuação (ta na 18ª edição).

Sabe o que eu descobri com isso tudo?!?!

Eu vi televisão demais :(

Telecine Aberto na NET

Alguem notou que a NET abriu o Telecine justamente esse final de semana?

E que todos os filmes dos cinco canais eram americanos? Quase que sem exceção?
Até mesmo os filmes do Telecine Cult (que até que são bem variados?) eram "clássicos" americanos, do tipo 'Harry e Sally - Feitos um para o outro'.

Estranho não é? ...

Talvez até seja paranóia.
Mas tem um quê de queijo nessa jogada das Organizações Globo.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Final de Semana

Final de semana é bom não é?
Saem os problemas chatos da vida e você tem dois dias pra poder acordar na hora que quiser e se deitar na hora que quiser.
Ainda mais esse com um showzinho rula do Nação Zumbi!
Nos outros 6 você trabalha =)

-

Já apertaram o botão da folia
Terreno de alegoria maior
E as avenidas já fervendo suadas
Que gigante tentação enfeitada

E no meio do tudo
Seu pecado lhe encontra
Solto na buraqueira Olinda-Recife
De ponte pula
Sobe e desce ladeira

Sem cair/ mestre-chão
Sem cair/ mestre-chão

Carnaval vem sempre
Vai tremer a terra
Pra tremer a terra
Carnaval vem sempre

Ps: um pequeno carnaval, de Carnaval - Nação Zumbi

Dica do Leonardo

Aí galera, dica de som do Leonardo.
Sonzera da melhor qualidade! Valeu muleque!
Corram antes que deletem!




Ps: vale a pena deixar o vídeo todo carregar: depois de iniciar, pausem e esperem a barra carregar (vai saber quem tá lendo isso aqui né haehueahuae)

Sexta feira 13... bwa ha ha ha ...

Hoje estou com um bom bocado de preguiça da melhor qualidade.
Sarando essa sexta feira 13 maldita.
Mas que urucubaca, to começando a ver que minha sorte existe e é em picos. Quando é pra dar certo, dá certo muita coisa junta. Agora, quando é pra dar errado, dá tudo errado mermo hahahuaeuaehuea.
Mais ou menos aquela outra urucubaca que eu tava há um tempo atrás.

Aí veio um período de muita sorte e felicidade.
Mas ontem, putz!

i) arrombaram meu carro, quebrando o vidro do motorista e ainda entortaram a porta
ii) abriram o capô e cortaram minha bateria pra desligar o alarme
iii) entraram, vasculharam o carro, mas não levaram porra nenhuma!
iv) de sacanagem, os malandros acharam a frentinha do meu som e colocaram em cima do banco do motorista (como se dissessem: essa bosta desse seu som não vale nem o esforço)
v) fico quase 2 horas tentando arrumar um modo de ligar meu carro (eu nunca iria chamar guincho, cacete)
vi) fiz uma gambiarra que funcionou malemale
vii) tive que gastar uma nota preta nessa merda toda, e ainda tenho que gastar mais...
viii) e ainda tem uma pah de coisa pra resolver nesse dia maldito!

Sai pra lá urucubaca ....

Mas aí navegando encontrei um texto muito bom do Idelber pra variar.
E trata de um assunto que ultimamente eu estou rediscutindo, seja no Blog do Lisandro, com meus amigos, comigo mesmo enfim.

O argumento do texto é muito simples: Ciência.

Mas que escrita do cara...

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Obama's walking the walk

No caso de que tenha passado batido pela imprensa brasileira: a indicação feita por Obama, de Shere Abbot, para Diretora Associada do meio ambiente no Gabinete de Ciência e Tecnologia da Casa Branca é dessas notícias alvissareiras, promissoras, que não podem passar sem registro. Obama's fucking walking the walk, pelo menos na maioria dos temas. Estas primeiras semanas deixam claríssima a mensagem: ciência é ciência, e fica nas mãos dos cientistas.

O que se faz com a ciência depois em termos de política pública é questão que uma sociedade democrática decidirá através dos instrumentos que já construiu. Mas deixem os cientistas pesquisarem em paz, em primeiríssimo lugar.

A diferença entre as políticas de Bush e de Obama para a ciência não se dá entre posições conservadora e liberal, de direita e de esquerda, mercadolivrista e keynesiana. Nesse sentido não há "dois lados", não sinhô. Trata-se de uma diferença entre os minimamente sanos e os completamente malucos.

Volta a ser possível fazer ciência com os temas sobre os quais os completamente malucos pontificam, baseados num livro de fábulas escrito há milênios. Já sei de cientista que se exilou no Canadá ou Europa e está planejando voltar. A extensão e profundidade da devastação deixada nestes oitos anos são aterradoras, e só estão tornando-se completamente visíveis agora -- mas o país começa a ficar respirável de novo para os cientistas.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Leituras Obrigatórias

Além do nosso amigo Idelber Avelar, outro que merece crédito é o Paulo Henrique Amorim.

Trago aqui uma colagem de suas últimas duas conversas afiadas:

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Protógenes e De Sanctis deveriam processar William Bonner

O Bonner também acredita em grampo sem áudio ?

O jornal nacional, através de William Bonner, disse que durante a Operação Satiagraha houve uma interceptação ilegal de uma conversa telefônica do Supremo Presidente do Supremo. Ele, com o senador Demóstenes Torres.

Quem disse isso ao Bonner ? O Presidente Supremo do Supremo ?

O deputado serrista Itagiba Lunus ?

O delegado Protógenes Queiroz leva no bolso uma decisão da Justiça que diz que ele NÃO é sequer investigado pelo suposto grampo do Presidente Supremo Gilmar Dantas, segundo Ricardo Noblat.

Uma Juíza Federal, amiga de Gilmar Dantas, segundo Noblat, também acreditou que o corajoso Juiz Fausto De Sanctis tivesse autorizado o grampo “ilegal” do Supremo Presidente do Supremo.

Deu com os burros n’água.

A Abin já chegou à conclusão de que não houve grampo nenhum.

O ministro da Justiça, Abelardo Jurema, também já disse que a Polícia Federal não achou grampo nenhum.

Por que o Bonner não exibe o áudio desse grampo ?

Ele acredita em grampo sem áudio ?

Acredita em Papai Noel ?

Ou o Bonner deu para mentir ?

Se eu fosse o Protógenes ou o De Sanctis processava o Bonner.

Paulo Henrique Amorim

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Quem precisa de controle externo é o Gilmar. Quem inventou Gilmar foi o Lula

Gilmar Dantas, segundo Ricardo Noblat, só se tornou o que é – o líder máximo do Golpe de Estado de Direita – por causa da pusilanimidade do presidente Lula.

Porque o presidente Lula deu espaço político para ele crescer.

Se tivesse peitado o Gilmar Dantas, segundo Noblat, logo no primeiro round, o Supremo Presidente não seria, hoje, Supremo.

Sabe como, amigo navegante?

Quando Gilmar Dantas, segundo Noblat, disse que ia chamar o Presidente “às falas”, o presidente que tem medo mandava o porta-voz da Presidência dizer assim: “ponha-se no seu lugar, seu arrogante: quem investiga irregularidades na Abin e procura áudio de grampo sou eu … Vá se queixar ao bispo (da Pastoral da Terra).”

Ao contrário, o presidente que tem medo recebeu o Supremo Presidente no dia seguinte no Palácio, na companhia de Nelson Jobim, aquele que produziu a babá eletrônica.

E o Supremo e Jobim, ali, na hora, decapitaram o ínclito delegado Paulo Lacerda.

E cada vez que Ele, o Supremo, tentasse ir mais alto que seus sapatos permitem, o Presidente da República responderia à altura.

Resultado: sempre que o PiG (*), especialmente a Globo - que voltou a ser o púlpito do Golpe (clique aqui para ler sobre o processo que William Bonner pode tomar) - concede a palavra ao Presidente Supremo do Supremo, o presidente Lula sai diminuído, humilhado.

Se o Presidente do Brasil fosse De Gaulle, Theodore Roosevelt, Chávez, Leonel Brizola, Itamar Franco ou Kirchner, Gilmar Dantas, segundo Noblat, já teria levado um processo por procedimento a-ético – por causa de seus negócios particulares na área de educação (?) à distância -; e um processo por “tentativa de subverter o quadro constitucional” com a interferência em outros poderes.

Se o Presidente do Brasil fosse um dos acima citados, Gilmar Dantas, segundo Noblat, seria reduzido ao que é: um coronel de província, que não fez carreira na magistratura, e se diz “germanista” sem ser (e se fosse?).

Paulo Henrique Amorim

(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista


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Então, já sabemos: nossa dose diária de lucidez contra o golpe que estão armando é gratuita na internet: Idelber e PHA (entre outros claro).

'Abre los ojos'

Meus amigos...

O juiz do supremo tribunal federal, Gilmar Mendes, acaba de cogitar a idéia de se criar uma "Corregedoria Judicial da Polícia Federal" para o controle da polícia federal pelo judiciário.

As únicas atribuições efetivas da polícia federal são o combate ao contrabando (drogas, direitos autorais, produtos) e aos crimes do colarinho branco (corrupção e desvio de dinheiro entre outros).

Eliminam assim a segunda competência real da PF, ao ser controlada efetivamente pela corja do judiciário bandidagem, justamente a bandidagem de alta estirpe que estava sendo desmascarada pelo ataque de setores corajosos contra as fundações míticas dos alto poderosos.

Meus amigos....

A polícia nunca se virou contra as altas elites deste país, justamente a parte que rouba nosso dinheiro dos impostos, perpetua esse horror de desigualdade social e inflaciona o seu estilo de vida, cidadão da classe média.

A mesma casta que manipula tua filha para ser prostituta, teu filho pra ser hostil. Que manipulou você e a mim a perder os sonhos aos 25 anos de idade. A aceitar o conformismo absurdo do cinismo contemporâneo, enquanto todo o aparato estatal servia de guarda enquanto escoavam-se riachos, rios e oceanos de dinheiro público destinado ao bem geral.

Aliada principalmente da grande mídia que inicia seu 'questionamento' com uma pergunta válida e fiel: 'já não há na Constituição a competência dada ao poder legislativo para regulamentar a polícia?' e termina este mesmo questionamento com uma resposta verdade: 'não funciona pois o congresso é corrupto e podre' para arrematar com 'portanto, mudemos a lei', enquanto a resposta óbvia seria 'vamos eleger melhores governantes e lutar por nossos direitos' ?

Meus amigos...

Este mesmo 'supremo' foi o fabricante da lei das algemas após a prisão de Daniel Dantas, condicionando o uso às pessoas que apresentem periculosidade, nome fantasia para preconceito puro e deslavado contra pobres e marginalizados socialmente? (quando um engravatado, morador do Morumbi, batalhão de advogados orientados vai reagir de forma perigosa, sabendo que muito mais cedo do que espera estará de volta a rua impune?)

Para, no fim, pensar que tudo isto é fruto de uma capa daquela revista vagabunda de domingo, Veja só... Somente por causa daquela 'denúncia' ergueu-se novamente a discussão sobre a operação satiagraha e suas possíveis falhas formais, criminosamente exageradas com termos como "arapongagem", "grampolândia" para manipular a população.

Eu juro que nunca realizei em uma semana tamanha estultice, covardia, sacanagem, e filhadaputagem em nosso país.

Mas ainda não desistimos, não mesmo.

quarta-feira, 11 de março de 2009

A concha da Inércia de Musashi

Uma das passagens mais memoráveis, para mim pelo menos, do grande romance Musashi, de Eji Yoshikawa, diz respeito à concha de inércia. Há muito tempo li o livro, mas a alegoria que trago desta passagem é muito importante.

Musashi encontra-se nos idos de sua vida de ronin (samurai errante, sem mestre) com um amolador de espadas, que pratica em tão perfeita harmonia sua arte e profissão que desconcerta o grande mestre. Musashi se sente minúsculo, incapaz de reagir à leveza e espiritualidade que emana do pequeno artesão. Acha que, se o mestre polidor fosse um espadachim (recordo-me que o era no passado), com certeza foi/seria um dos maiores do mundo. Muito da genialidade da filosofia de Musashi vem justamente da contraposição, do permeio, da observação cruzada que ele fazia entre seu caminho da espada e os outros caminhos do mundo, principalmente a filosofia e a arte. Das comparações, ele conseguia certezas e pedras firmes que fomentavam novos sentimentos e viveres.

Após este encontro, Musashi se aprisiona em si mesmo. A concha da inércia é título de um dos capítulos do livro. Desanimado, apático, o espadachim cai em um vórtice do qual o centro é ele mesmo, e a dificuldade de escapar e novamente viver a vida e o caminho da espada se esvaem, já que tudo carece de sentido. Angustiado por achar que não consegue realizar nada na vida por se sentir, justamente, acorrentado a si mesmo, à sua pequenez, a impermanência, entre outros motes filosóficos, esse momento de sofrimento é comum a quase todos nós, seres humanos.

Mas não somente esta passagem demonstra esta humanidade do espadachim, fugindo da aura mágica que o pintam. Ela funciona, justamente, como ponto central do romance, donde o personagem conseguirá, saindo desta concha, energia infinita para prosseguir em seu caminho. Portanto, a concha em que ele se aprisiona funciona como um refúgio também, não somente como um defeito, um problema: precisamente neste refúgio que o personagem reaproxima-se de suas principais certezas sobre a vida, dialoga consigo mesmo no atribular das idéias e do desespero, mas não se deixa por vencido, libertando-se novamente apoiado em suas convicções.

Ocorre que, à época, o ideário samuraico nipônico era baseado em sentimentos e conceitos muito correlacionados com a honra e o caminho. Existiam estruturas de onde poderíamos, como puderam os mesmos, extrair sentido e moral para a vida. Estruturas estas que, em nossa ocidentalidade, se exemplificam como, por exemplo, a família, o trabalho, a religião, dentre outros. É justamente daquelas estruturas (honra, giri, justiça, sabedoria dentre outros) que não são objetivadas, mas subjetivas, que Musashi retira a sua força e registra-se como sujeito que adquire a revelação do caminho por meio de si mesmo.

Em outras palavras: atravessando um momento sem fortuna, ao olhar para dentro de si, Musashi extrai a sabedoria e a força de conceitos que ele, e toda a sociedade, admiravam e tinham como verdade. Ele inova, justamente, ao perceber-se perdido em seu caminho de choque entre a guerra e a arte, o humano e o divino, entre as contradições que a vida, a quem tem sede, demonstra em toda a sua beleza. Perdido neste caminho tumultuoso, desamparado, acorrentado em si mesmo, ainda assim ele apreende a necessidade do sofrimento como item fundamental ao aprendizado da vida.

E aqui é o ponto que eu gostaria de chegar. Como transpor essa alegoria, do olhar pra dentro e adquirir força de conceitos outrora possuídos, se tais conceitos já não são amparados nem pela sociedade, nem por você em nosso mundo contemporâneo? De onde extrair sentido para os questionametnos da vida em meio ao cinismo que impera palpavelmente em todos os olhares? O ato de isolar-se em busca de auto-conhecimento, apoiando-se hermenêuticamente em seus conceitos já formados, ermitão em própria cidade, casa, lar, mente, continua trazendo a força que propagam os sábios orientais? Digo isto pois certas instituições que sempre nos serviram como valor, hoje se mostram arcaicas e ultrapassados, com seus conceitos e moral muito peculiares, e não trazem mais alívio à algumas almas.

Vejo muitas pessoas desistindo da vida muito cedo, conformando-se, desiludindo-se, se entregando. O que me traz uma imensa tristeza.

Sendo tu, uma destas almas, de onde tiras tua força?

Protógenes Queiroz na UFG

Hoje (11/03/09) à noite, às 19:00, o delegado Protógenes Queiroz estará na UFG participando de um seminário. O delegado que comandou as investigações da Operação Satiagraha e hoje está sendo linchado publicamente pela Iustiça de Gilmar Mendes, pela manipulação descarada da revista Veja, além de outros, falará com os calouros da universidade sobre a situação do Brasil.

Pra resumir todo o enredo, que é muito longo e envolto em sombras, podemos reduzir a celeuma: de um lado temos Daniel Dantas, Gilmar Mendes, Senado e Câmara, PT, PSDB, Veja e outras corjas e larápios de dinheiro público contra o delegado Protógones, o Juiz de Sanctis, a juíza Maria de Fátima e poucos outros. Briga injusta não?

Quais os interesses que eles defendem?

É claro que estarei lá, fazendo coro pelo lado do bem.

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UPDATE: estive pensando em fazer algum resumo mais aprofundado sobre os personagens dessa trama, principalmente me lembrando de como o Direito é um instrumento ultra-poderoso quando aliado a interesses espúrios.

Existem duas entidades metafísicas no Direito: a forma e a matéria. A forma seria o processo, o modo, a aparencia, a retórica, o instrumento, os passos; A matéria, por sua vez, o fato, o direito, a 'verdade', o conteúdo.

O curso de Direito existe em sua grande maioria para ensinar como solapar, utilizando-se de argumentos formais ou materiais, qualquer tese ao seu interesse. Fala-se muito em Justiça, mas esta é somente um dos critérios subjetivos que o advogado, o promotor e o juiz se arvoram para defender suas ideologias.

Me recordo um fato que aconteceu há pouco tempo na faculdade: Um concurso para professor efetivo, alguns candidatos. Alguns deles não havia conseguido a nota mínima para serem chamados para a segunda etapa (e posso lhes garantir: não era tão alta assim), da entrevista, aula expositiva e análise curricular. O organizador do certame, vendo que na segunda etapa sobrariam poucos candidatos (apenas dois), abriu uma exceção para que os que já haviam sido desqualificados na prova objetiva pudessem competir da segunda etapa em diante, vislumbrando uma chance maior a eles, e procurando alcançar o melhor resultado possível (estas pessoas poderiam ter melhor didática, currículos melhores etc), abstendo-se de ater ao fato de que eles já haviam tomado ferro.

Foram todos para a segunda etapa, e o resultado final do concurso coroou o professor que já havia tirado a maior nota na primeira fase objetiva (e portanto não foi beneficiado pela exceção, sendo isento na tramóia), enquanto os outros tiraram boas notas, mas não o bastante (embora beneficiados pelo fato).

Agora, vocês acreditam que um destes que havia sido beneficiado com essa chance ameaçou entrar com um processo na justiça para anular todo o concurso?? (um ano de estudo duro, stress, sonhos etc) E justamente o que tinha tirado a pior nota?

Acho que por essa exposição, perceberíamos talvez que ele estava sem razão. Mas, se ele levasse a querela a justiça, muito provavelmente todo o certame seria anulado (e com alguma razão, talvez). Ou seja, ele se fundamentou em um argumento formal (o rito não foi seguido) para defender um interesse próprio, mesmo tendo sido agraciado de forma bastante compreensiva e humana com a chance, contra a parte material do concurso (que celebrou contrato, evidentemente, com o melhor professor, isento de responsabilidades no conluio.

De qualquer modo, o que eu gostaria de falar é que, quem se interessar por política, mídia, manipulação, poder, dinheiro, corrupção e outras coisas bem à tona em nosso país, deveria ler a mídia independente, por mais que seja difícil hoje. Portanto, defendo uma das melhores formas de se encontrar informação confiável, independente e crítica: o blog do idelber avelar (velho conhecido nosso).

Abaixo, a cronologia dos desdobramentos da Operação Satiagraha, pelo professor (é um pouco grande, mas a linguagem é tão simples, tão clara, que dá gosto de ler. Vale muito a pena):

Operação Satiagraha: o ranking do nervosismo, 10 de julho de 2008

Sobre o papel do subjuntivo no mascaramento da bandidagem, 19 de julho de 2008


Cópia de um email ao ombudsman da Folha de São Paulo, 21 de julho de 2008


Veja: Gilmar Mendes e suas mentiras, 01 de setembro de 2008


Ovas de peixe voador e filhotes de enguias, 02 de outubro de 2008

Gilmar Mendes entrevistado na TV Dantas, 15 de dezembro de 2008


Nos 200 anos da imprensa no Brasil, 02 de fevereiro de 2009 (Esse indispensável, sobre a Revista da UFG)


Continuemos lutando.

terça-feira, 10 de março de 2009

Ronalducho!

E não é que o cara conseguiu?

O Ronaldão nem gol de cabeça fazia; mesmo assim fez;
embora precise de muito preparo físico, visível era sua gana de jogo;
agora, o que me deixou mais feliz ainda foi a comemoração:
comemoração de quem gosta de jogar futebol

de quem vive o futebol
do peladeiro que faz aquele gol de placa e pula na torcida
do cara que tá tentando voltar mais uma vez depois de inúmeras lesões e tombos

mas há o que pensar
quantas drogas ronalducho aceitou receber para obter aquela explosão muscular milagrosa nos times europeus em tão pouco tempo?
para ganhar milhões e milhões de ouros
e quase ver sua carreira acabada várias vezes
aos 32 anos de idade?

Há vários modos de pensarmos o significado do ronalducho para o futebol brasileiro e mundial, todos muito bons para quem gosta de futebol

sexta-feira, 6 de março de 2009

hierarquia de pecados

Arcebispo excomunga médicos e parentes de menina que fez aborto depois de ser estuprada
Publicada em 05/03/2009 às 04h10m

RECIFE - O arcebispo de Olinda e Recife excomungou nesta quarta-feira a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto legal feito por uma menina de 9 anos . O padrastro confessou que abusava da menina desde os 6 anos. Ao justificar sua ação, dom José Cardoso Sobrinho disse que, aos olhos da Igreja, o aborto foi um crime e que a lei dos homens não está acima das leis de Deus.

Padrasto que violentou menina de 9 anos em PE não será excomungado pelo arcebispo de Recife
Publicada em 06/03/2009 às 14h07m

SÃO PAULO - O arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, não excomungou o padrasto que estuprou e engravidou a enteada de 9 anos em Alagoinha, Pernambuco. Grávida de gêmeos, a menina foi submetida a aborto na última quarta-feira e o arcebispo excomungou os médicos que participaram do procedimento e a mãe . Para o religioso, no entanto, Jailton José da Silva, o padrasto, que foi indiciado por estupro e está preso, não está incluído na excomunhão.

- Ele cometeu um crime hediondo, mas não está incluido na excomunhão. Existem tantos outros pecados graves. Mais grave do que isso, é o aborto, eliminar uma vida inocente - afirmou o arcebispo.

Fonte: O Globo

.....

é necessário algum comentário ? talvez que a igreja escancare sua postura sutil de sempre, (cruzadas, jesuítas, nazismo, esqueci de algo?).

pois há pouco tempo ela ex ex-comungou um bispo que negava o holocausto (olha donde a folha de são paulo tira inspiração para negar a ditadura brasileira).

o que me surpreende é com a desfaçatez desse bispo filho da puta, com todo esse cocô que ele vomita

sendo assim, pensei em algumas regrinhas simples para você se dar bem na igreja católica para não cair na excomunhão (uma difícil questão hermenêutica já que o direito canônico é conhecido por sua antiguidade):

i) estupre a vontade, é permitido (mas não aborte)
ii) pode colaborar também com extermínio em massa sim (só não aborte!)
iii) defenda a viabiliadde de uma gravidez de gêmeos de uma menina com 9 anos (não aborta porra!!)
iv) pedofilia é um amor puro entre um padre e uma criança (se não houver aborto, são inimputáveis ambos)
v) a lei de Deus está acima de qualquer lei humana, ou em outras palavras: minha pólvora e meu aço espanhol vai te cortar e queimar melhor que tua cimitarra/arco/bodoque/funda seu árabe/judeu/ameríndio idiota (caralho, quantas vezes lhe disse para não abortar?)

e para arrematar, como se o balde não estivesse entornando de tanta merda ...

- Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade. A Igreja, então, é muito benévola, quer dizer, sobretudo, com as pessoas de menor. Agora os adultos, quem aprovou, quem realizou esse abordo, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender - afirma o bispo pateta.

francamente...

ê fo...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ronalducho

O Ronaldo vai entrar em campo aqui em Goiás!
Cara, que loucura!
Um dos melhores jogadores que o futebol brasileiro já viu.
Indiscutivelmente um dos maiores do mundo disparado.
E aqui.

PORRA!!!

Cleber Machado

"Pra sair do banco não tem pressa!"

IPON!

Fusquinha

- abre essa porta aí e vê.
- puta que pariu, ta longe ainda.
- porra...


- e agora?
- caralho Apolônio, tu não consegue estacionar um fusquinha ?
- ah, vai te a ....

04/03/09 - Itumbiara: capital do país

Vocês não se lembram desta data?

Pois conto-vos. Esta é a história do dia que Itumbiara foi a capital do Brasil por uma noite.

Quase todas as atenções do país se mantinham firmes por sobre a cidade.

Então... eu tive oportunidade de ir.
Mas não fui, sabe...

Não?

Nem eu ...

"Picanha sem gordura é heresia"

Lento, deslizo por sobre a superfície. Caminho como que se pisasse em ovos. Ao entardecer, começo o filme. 'Análise sócio crítica da sociedade classe média' e 'cinema verdade' como pilares da minha película.


Aí penso assim ó: fodeu.

Uma coca-cola, um cigarro. As coisas se aplainam na cabeça. Saciada a fome, conjecturo sobre o dever ou a paixão. Ah pensei-me: simbora!

Aí eu vi: que furada me meti.

Rio de Janeiro, 1965, após o golpe militar. Jabor detonando a classe média e se detonando no filme. Vários cigarros e contratempos mundanos no caminho. As coisas iam e viam, uma loucura de viagem. Mas caba o filme.

Caramba, que treta.

Vai pra rua para navegar. Se perde no mar de gente, nos pequenos circulos de amigos ao entardecer, os notívagos, os bêbados, trabalhadores ou vagantes, os últimos como o narrador: todos compartilhando de alguma maneira largas golfadas de vida.

Desço para comprar uma coca, acabo ganhando muito mais: magníficas emanações humanas. Captadas devidamente com os sentidos; porquê achas que culinária só é culinária se feita com sentidos, e não com receitas?

Dialogando consigo mesmo, assim caminha o que é, ainda, eterno vórtice de loucuras. Sente-se tão feliz que poderia embarcar tudo e todos. Relembra as coisas mais belas, adora as coisas ainda tão gostosas.

Quando sente que é hora de se sentar e tentar permanecer, de alguma maneira, ainda mais lúcido, vai buscar uma coca-cola e um cigarro. Quando tudo está indo de novo pra cima...

Nóia.

terça-feira, 3 de março de 2009

Angústia, Pt 2

Pois bem.

A angústia se foi e, inacreditavelmente, eu passei no concurso do Ibama.
Sem falsa modéstia: eu não esperava passar de maneira alguma.

Eu sabia que tinha feito uma boa redação (estudo de caso) e que poderia estar entre os 10 primeiros que teriam a redação corrigida. Eu gostaria de, pelo menos isso.
Mas minha nota provisória (havia feito 76 pontos) não era o possível para conseguir a vaga.

Então fiquei tranquilo. Tinha feito o máximo. Seria mais uma 'daquelas de levar pro caixão', como diz meu amigo Robson. Ia passar raspando a meta ou, pior, ia bater na trave.

Porém, como aquele gol antológico do Roberto Carlos em cobrança de falta na Copa das Confederações em 1998 (bola: fez-se efeito magnífico, inconcebível até então ao mundo físico), surpreso ficamos.

O gabarito definitivo teve questões anuladas (que eu havia errado!) e uma mudou (que eu tambem havia errado). Ou seja, tive muita sorte tambem. Me sai bem na redação pra ajudar também.

Enfim.... Como já diziam: O bom goleiro tem que ter sorte.

....

Coisa boa na vida é isso =)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Preso ex-presidente de entidade anti-pirataria com CD falso

Márcio Leijoto / Direto de Goiânia (link)

O empresário Carlos Gomes, 54 anos, foi preso nesta tarde em flagrante por venda de produtos piratas. Segundo o delegado Edemundo Dias, titular da Delegacia do Consumidor (Decon), ele é ex-presidente da Associação Goiana de Combate a Pirataria de CDs e DVDs.

Gomes é dono de uma rede tradicional de lojas de discos. A polícia aprendeu mais de 5 mil produtos piratas nos três estabelecimentos do empresário, todos na região central da capital.

A fraude foi descoberta depois que uma cliente levou CDs do cantor Amado Batista que havia comprado em uma das lojas para o artista autografar durante um show. Ele se recusou a assinar, alegando que não concordava com a comercialização CDs piratas.

"Ela se sentiu extremamente constrangida com seu ídolo e com os presentes no show, que fazia parte de uma festa organizada por ela. Então, a cliente pegou as notas fiscais e veio até a delegacia", explicou o delegado.

Na loja, o CD do Amado Batista pirata era vendido a R$ 15,90. O empresário disse na delegacia que não estava conseguindo concorrer com os ambulantes. "Isso não é desculpa, porque ao ir numa loja tradicional o cliente busca qualidade, e não um produto pirata", comentou Dias.

Gomes está detido em uma cela do 1º Distrito Policial. Ele vai responder por venda de produto pirata, crime previsto na Lei de Direitos Autorais. Ele também pode ser indiciado por sonegação fiscal. Se condenado, pode pegar de dois a quatro anos de reclusão. A loja não será fechada.

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Hipocrisia? Não ... bobagem...

Angústia

E da porra.

Tudo por causa de um resultado de um concurso que eu, racionalmente, sei que não vai dar.

Mas mesmo assim ainda fica uma pontinha te corroendo o dia todo, 10 em 10 minutos dando refresh na página do resultado, cada vez mais apertado.

E sonha alto; voa baixo. Lembra que não dá; mas acredita que pode ser que talvez? Vamo levando desde quarta feira esse sofrimento.

Ah mas ele que pensa que se safa dessa, que pode me deitar fácil: vai se afogar de qualquer maneira em uma puta dose de uísque. Sem um pingo de remorso.

Mas ufa, ainda bem que não dá pra controlar todo esse sangue ardido que corre nas veias, que ainda há o acreditar mesmo na adversidade. O ser humano é um trem do capeta mermo.

Ps: mas se rolar, que coisa linda, que coisa boa ...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Futebol

Futebol é bão né? Ponto.

Agora, 30 minutos do clássico paulista Corinthians e São Paulo dá vontade de desligar a TV.

Jogo truncado, pesado, bruto, sem uma jogada boa, só porrada. E quantas faltas? E São Paulo com time misto, Corinthians sem elenco. Só marcação e porrada. Ah, e chuveirinho!

O time do São Paulo marca bem, toca a bola bem, e dá-le chuveirinho! E a zaga não passa agulha. Placares apertados são constante.

Futebol paulista? Os únicos que jogam futebol ali pra honrar nosso estilo vieram do Rio ou outros estados. Lenny do Palmeiras e esse lateral esquerdo do São Paulo, Júnior César, que tá jogando bem.

Clássico carioca não. Em sua maioria. Sobrando problemas, os clássicos cariocas sempre são gostosos de se ver. Lembro me de ver muitos clássicos no domingo lá em Uruaçu, já que a antena parabólica passava a Globo do Rio. Não é a toa que tem-se que o Carioca é o campeonato mais 'charmoso' do país.

E o imbecil do narrador fica falando " e que clássico "... Francamente.

Aí! To falando, Um a zero pro Botafogo em cima do Flamerda!

E antes que venham ser bairristas apaixonados, leiam com calma o que escrevi!

Tentarei atualizar aqui, porque esse domingão tava bom era pra ter ido ao Serra. Mas o Vila Nova não anda dando muita alegria...

38 minutos: E o Vascão enfia um no Madureira! E o Túlio é expulso (olha que coisa. O jogo já teve muito mais porrada pra expulsão do que esse tapinha. Mas a estultice típica de lance do carioca, mais ou menos o que o Bill do Vasco fazia)

47 minutos: Todos os outros clássicos tem gol. Menos esse. E olha como esse timeco do flumerda é sacana, além de comprarem resultados na justiça contra o Vasquinho (porque enfiaram dinheiro horrores naquele time e o cocô continua afundando), tão jogando em São Janu!!! Honra é coisa perdida estes tempos.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Again and again

Meus amigos, já falei do nosso amigo Prayve e seu blog (que também se encontra ali do lado direito com a data da ultima atualização, assim como os de meus amigos que leio sempre). Mas não consigo não deixar de postar um trecho de sua última mensagem:

In this day where it has become harder and harder to turn to present music for spirituality, where an artist's achievement is measured by the appeal of his recordings to mainstream audiences and where the standard channels just don't provide the right material to quench my thirst of music; digging into the treasures of the past seems to me like the best way to escape from the surrounding musical boredom and to feed my soul the nutrients it begs for.

Conseguiu tirar daqui de dentro algo que, já há algum tempo, venho remoendo com o passado.

Se ninguem conhece o que é o poder da boa música do passado, só precisa visitar o paraíso para nós músicos: ali em Aparecida de Goiania, na casa do Thomas =)

Portanto: baixem, now, as compilações do Prayve's.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ontem

Ontem, como é costume, centenas de estudantes foram ao Parque Vaca Brava comemorar o resultado do vestibular da UFG.

É uma festa grande, bagunçada, algo descompensada, onde os calouros tomam trote dos veteranos, quase se afogam nas águas do lago, se emporcalham, bebem muito e apanham, quase na mesma medida. Meninos e meninas que mal saíram das fraldas após meses, quando não anos, de muito sofrimento, expectativa, ansiedade, privação e esforço, esperam se encontrar, enfim, com o êxtase de sua aprovação. Querem comemorar e querem se libertar de tudo o que os oprimiu, angustiou e machucou durante esta jornada.

Há muito tempo também que setores da sociedade reclamam desta farra, da sujeira e da anarquia que é instaurada, a violência com que se praticam os trotes, a bebedeira descontrolada, o tumulto no trânsito, enfim: tudo que foge ao controle, que era reprimido e se libera; o oculto agora revelado neste único dia no ano. Pois ontem não foi diferente. A mesma alegria confusa se espraiou ao lado do parque. A mesma violência em alguns trotes, algo até mais cruéis; a mesma progressão percebida em um calouro que nunca havia bebido antes, ao entornar forçosamente destilado (seja por medo de ser taxado como covarde frente aos teus, seja por arrogância e audácia): primeiro a euforia e a alegria, sendo sucedidas por vertigem, cambaleios, vômitos, e em alguns casos, desmaios.

Deveria existir limites a tudo isto? Não. Não creio que devemos limitar esta festa, não devemos doutrinar a alegria, impor barreiras ao descontrole que, em sua maioria, é saudável. Mas creio que deve haver, acima de tudo, responsabilidade e consciência de que há conseqüências em tudo que fazemos, ou aceitamos que outros façam conosco.

É nesta faixa da realidade que o calouro deve situar-se. O que ele encontra ali é vida em manifestação crua; é o que ele encontrará pela frente em sua existência. A violência dos trotes nunca se resumiu ao trote. O apelo do álcool da celebração perfeita nunca se situou somente naquele dia, não é caracter indelével dos estudantes. A perversidade de certas práticas que manifestam-se naquele dia não é singular. Tapas, socos, pontapés, puxar cabelos, arrastar pelo chão, enfiar a bota suja de lama na cara do outro, pisar em suas costas: estas manifestações não são característica intrínseca daqueles que ali festejam.

Todas estas tendências e personalidades que vemos aflorar naquele dia são reflexos de uma sociedade cínica, sádica e hipócrita. A violência está dentro dos lares e escolas desde muito cedo, pelas pessoas ou pela televisão e o noticiário, está no trato com os outros, no trânsito; o álcool e as drogas já se perdem no tempo como um dos grandes pilares que se sustentam a vida cotidiana, seja para celebrá-la, seja para fugir dela (e esta nuança é tênue). O que seria o álcool e o fumo se não fosse a propaganda?

Hipocrisia e vilania é acusar os jovens de serem os únicos responsáveis por tudo e não assumir a parte que, há muito, sabemos que nos pertence.

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A agressão cobarde de um policial militar ao estudante W. G., que desferiu um soco brutal na boca do menino, já algemado, já dominado, circundado por 8 policiais militares e filmada é uma das cenas que destoam a celebração de ontem e reflete de forma cristalina a confusão que nos metemos nessa altura do campeonato.

Parto das imagens apenas. Não quero esperar as versões que serão liberadas, discutidas, confrontadas, para, ao final, tudo restar-se por baixo do tapete:, sem nenhuma mudança promissora para a nossa sociedade. Tudo pode quedar-se leviano, mas é um risco que assumo.

Curiosamente calouro de direito, assumo que W.G. seja menor de idade. Porque somente por este fato poderia existir qualquer embasamento legal para que os policiais ordenassem que ele entregasse a garrafa de vodka. É inconcebível que ele tenha sido algemado por se recusar a entregar uma garrafa de vodka em uma celebração de rua. Sabendo ser menor, naquela situação, a PM deveria tentar todas as alternativas antes e em último caso conduzi-lo ao juizado da infância e adolescência, sem violência (diga-se, aparente).

Resta acreditar que o jovem, talvez arrogante e audaz como os calouros de direito geralmente o são, tenha desacatado o policial, não apenas resistindo a uma ordem de retirada do local ou entrega da garrafa, mas proferindo impropérios vários aos policiais. Mas nem isso justifica, de maneira alguma, a atitude do policial. Porque todos sabemos como funciona o desacato: primeira e última arma do arsenal de barbaridades, postas de pleno direito, ao policial truculento em seu exercício ignóbil. O crime de 'desacato à autoridade policial' é uma herança maldita do período ditatorial em nosso país, e deveria ter sido varrido, juntamente com quaisquer de suas sombras, de nosso ordenamento.

O que me leva a um terceiro ponto: em que planeta aquele jovem viveu todos estes anos? Ele não sabe como a realidade funciona? O que é a polícia? Como os pais nunca, por menor que seja o caso, não sentaram com o moleque e contaram algumas destas histórias de medo e abuso policial? Porque todos possuímos histórias de abuso policial, de abordagem violenta, de humilhação pública. No mínimo, mesmo estando totalmente correto, o jovem deveria ter acatado a ordem e saído. Não o fez, e a consequência real de seus atos assomou: aqueles não eram os policiais montados em bicicletas do parque, eram tropas de choque do estado. Porque não há como argumentar com a polícia (ela é surda e burra). Não há como se defender da polícia (ela é açoite e ordem). Qualquer outra atitude que não a de submissão total e incondicional tem como conseqüência a dor.

A polícia militar é instituição de horror e repressão, antes designada para as periferias e portanto oculta aos olhos da burguesia. Agora com este levante de autoritarismo e endurecimento em que passamos, renovação de um fascismo latente há muito tempo, ela trouxe, para o seio da classe mais favorecida e até então protegida todas as penúrias, rompantes, ilegalidades e abusos que se acostumou a cometer e infligir, quando invisível aos olhos da imprensa e políticos, nos menos favorecidos. É provável que o caso ganhe alguma repercussão midiática, posto que filmado e acontecido em um dos bastiões da pretensa segurança social, e alguma discussão sobre esta violência policial em particular. Meu palpite: não resultará em nada. Mudanças mais profundas devem ser feitas.

A atitude absurda da polícia e, talvez, a audácia de um calouro de direito juntas deitaram o caldo. O que resta é esperar que este episódio produza alguma reflexão, tanto na turma que adentra na faculdade de direito esse ano, quanto no jovem que sofreu essa agressão covarde: espero que ele tenha essa experiência em seu âmago e lute contra as injustiças e ilegalidades deste sistema; que não a aceite como uma vergonha, ou como um erro, e esqueça em seus porões da memória. Porque fatalmente os fantasmas retornam e assombram.

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Meu pai é um exímio contador de histórias.

Nascido no Rio de Janeiro, sou fascinado por tudo que ele viveu. Me contou apenas uma vez esta história, e sempre me lembro dela (embora as tinturas estejam muito misturadas). Ele retornava para casa lá no Morro do Tuiuti, na Mangueira. Em São Cristóvão, perto do Batalhão da PM, antes das ladeiras do morro, uma blitz da PM. Voltava de um futebol no sábado. Foi parado, desceu do fusca, e o baculejo de praxe. Meu pai, sem mais nem menos, antes de ser liberado, leva uma bofetada na cara de um policial que estava ao lado, nenhum motivo.

Aquela bofetada pesada, que te derruba no chão. Terminada a sessão de humilhação, a ele é permitido se recolher ao carro, e antes de sair, o policial avisa:

"Isto foi por você não ter dito sim senhor nenhuma vez."

Meu pai, liga o fusca, engata a primeira:

"Pode ir", diz o policial

"Sim senhor", retruca meu pai

Move-se o fusca um pouco mas não se dá por vencido e grita ao milico:

"Ah seu filha da puta, corno, viado, tua mãe tá na zona seu broxa!"

E acelera, disparando para casa.


Ps: pequenas modificações.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Êta Urucubaca

I) Uma mesa de som queimada
II) Um juzo perdido (ps: já foi encontrado!)
III) Falta de energia elétrica
IV) Aparelho de DVD dando pau
V) Cadê meus DVD's e CD's, cacete?

É. Sou um desastre em movimento!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Pushing our limits




Filado do Catarro

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Idelber Avelar e seu glossário

Ultimamente tenho lido muito sobre política, em especial mundial. As últimas eleições para prefeito aqui em Goiás não foram nada acirradas, simplesmente passaram, em especial Goiânia em que houve a reeleição de Iris Dinossauro Resende. Mesmo assim, acompanhei algo distante os pormenores, me indignei a uma câmera de tv para descobrir que era propaganda do outro candidato (mais impróprio que o próprio Iris), até acompanhei alguns debates, todos muito fracos.

Mas a água passou por baixo da ponte tranquilamente, ratificando a escolha do povo, vox populi vox dei: um 'falo' gigantesco entrincheirado num dos redutos burgueses (onde moro) de minha cidade ao cabo de 25 árvores decênias cortadas para dar mais visibilidade ao 'monumento', isso pra falar no mínimo.

Lentamente começo a me situar, tentando ser menos alienado, tanto no meu tempo histórico, quanto na minha cidade, na minha família, na minha mente Talvez agora esteja saindo, muito vagarosamente, de uma verdadeira 'segunda adolescência' em meus 20 a 25 anos, já que eu fui um revoltado rotulado algo conhecido em minha pequena cidade natal. Talvez também porque agora sim entendo o quão é difícil viver (mas estas conversas ficam para outros dias).

A política mundial, pelo contrário, pareceu-me bastante acirrada. Tenho uma esperança em Obama, embora ache que meu posicionamento ficou meio ambíguo ao comentar sua frase do discurso, mas eu tenho esperança (mas um tanto quanto cético; que dualidade!). Meu projeto político é me preparar para as eleições daqui a quase dois anos; nada de candidatura, claro: será meu voto mais consciente e mais importante de minha vida, talvez nosso voto mais importante dos nossos últimos 20 anos.

Para isso, não basta somente, creio, acompanhar os bastidores da política nacional (o reflexo da dupla vitória do pmdb na câmara e no senado p. ex.). Como o mundo é cada vez mais interligado, sensivelmente alteram-se as conclusões quando levamos em conta mais variáveis em nosso pensar. E será uma dura decisão, podem ter certeza disso.

Mundo e Brasil. 2 anos. Só possuímos esta realidade, esta vida. Que escolhas faremos?

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Idelber Avelar é um professor de literatura que se divide entre EUA e Brasil, e possui certamente um dos blogs de maior repercussão política em nosso país. Neste recente genocídio palestino perpetrado por Israel, seu brado foi um, dentre muitos, que acusou o Mal que repousa na política externa israelense e em todos os que possuem interesses afins.

Decerto ele compilou um pequeno glossário onde expande e analisa as definições utilizadas costumeiramente pela parte da mídia inescrupulosa e desidiosa. Concebo como de suma importância para entender o que se passa no mundo, e como os reflexos de uma guerra em outra parte do planeta atingem-nos em nossas cidades, com nossos governantes, desculpem o trocadilho, pra lá de Marrakesh de incompetentes.

Os textos valem, principalmente, pelos links que ele apresentam, as citações, as referências, onde cada um nos leva a um universo que, pelo menos pra mim, era um tanto quanto desconhecido. Se houver um pouco de disponibilidade de tempo, a exploração será com certeza recompensada.

Glossário Macabro da Ocupação 1: "Conflito"

Excerto: "Ao definir “conflito”, Houaiss usa os sinônimos “choque” e “enfrentamento”. Certamente, podem existir conflitos entre fortes e fracos. A simetria perfeita de forças não é um requisito para a aplicabilidade do termo. Mas se você vir um garoto de 15 anos sendo espancado por cinco brutamontes, você dificilmente usará a palavra “conflito” para descrever o que acontece. "

Glossário Macabro da Ocupação 2: "equilíbrio", "ponderação", "ver os dois lados"

Excerto: "Qualquer bom profissional da área de Letras, com um mínimo de formação em retórica, poderá lhe explicar, caro leitor, como seria relativamente simples escrever um panfleto racista que parecesse “ponderado”, uma monstruosidade pró-Apartheid que soasse “equilibrada”, uma justificativa do colonialismo mais bárbaro que parecesse estar “vendo os dois lados”. Basta ir fazendo um pingue-pongue pretensamente neutro entre verdugo e vítima, e você engana os incautos.
"


Glossário Macabro da Ocupação 3: "Terrorista"

Excerto: "1. A palavra “terror” entra na língua como designação de um ato político justo ali no momento de fundação da democracia moderna. Houaiss, “terror”, acepção 6: nome por que se designa o período da Revolução Francesa compreendido entre 31 de maio de 1793 (queda dos girondinos) e 27 de julho de 1794 (queda de Robespierre). Este é o primeiro tapa que os fatos dão na cara do argumento que implícita ou explicitamente associa o “terrorismo” aos árabes: o “terror” não é o oposto da democracia, não é antônimo de “liberalismo”, não é o contrário nem o antagonista do Ocidente. O terror nasce ali, juntinho com a democracia."

Glossário Macabro da Ocupação 4: "“A oferta generosa de Camp David” ou "a oportunidade perdida por Arafat"

Excerto: "Qual era, pois, a tal “oferta” (que, sabemos, jamais foi tal) de Camp David? Leia o jornalismo “ponderado” e ele lhe dirá que Arafat rejeitou uma oferta de “96% da Cisjordânia, toda Gaza e Jerusalém Oriental” para um estado palestino, de forma que parece que meros 4% da Cisjordânia separavam a oferta israelense da lei internacional que exige retorno de Israel às fronteiras de 1967. A verdade, evidentemente, está a quilômetros de distância disso. "

Espero ter atiçado vossa curiosidade. Idelber deve ser lido costumeiramente. A imagem que ilustra o post é de autoria de Latuff, cujo mote Idelber nos traz:

"copyleft is the way e a informação deve ser livre e que sobretudo nenhuma restrição se aplica às imagens que documentam a expulsão e posterior ocupação militar de que foi e é objeto o povo palestino, pois elas configuram testemunho de crime lesa-humanidade."

Doutores do Pessimiso - Marcelo Coelho

Peço licença e publico a coluna do sociólogo Marcelo Coelho, que escreve para a Ilustrada da Folha. Coelho é um dos alvos prediletos dos pitbulls da direita reacionária brasileira (reinaldo azevedo, hilário como sempre, tem uma rixa histórica com ele). O blog do M Coelho é um dos que mais acesso. Este pequeno texto encampa, de forma maravilhosa, muitos de meus pensamentos , receios e esperanças, que brotaram em profusão quando vim para Goiânia (à época, quase prestei História); ficaram adormecidos por algum tempo; agora, assomam com energia em minha vida cotidiana. (os grifos são meus)

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Os Doutores do Pessimismo

Será chamado de ingênuo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que vive

NÃO É PRECISO ser um grande gênio para constatar que vivemos num mundo bárbaro.

Que o ser humano é capaz das maiores atrocidades. Que a vida é feita de competição, inveja, egoísmo e crueldade.

Ninguém precisa ter vivido num campo de prisioneiros na Sibéria nem ter sido moleque de rua no Capão Redondo para saber disso. Mas virou moda entre muitos intelectuais e jornalistas anunciar uma espécie de "visão trágica" do mundo, como se se tratasse da mais surpreendente novidade.

Com certeza, há nisso uma reação saudável contra o excesso de otimismo. Durante o século 20, grande parte da esquerda não quis ver as barbaridades cometidas por Stálin e Mao porque, em última instância, "tudo iria dar certo". Belas esperanças tornaram-se pretexto para atos de horror. Nada mais correto do que denunciar o horror.

O que me parece estranho é que, mais do que denunciar o horror, esses pensadores trágicos e jornalistas sombrios gostam de destruir as esperanças.

O reconhecimento do Mal, a crítica à violência da esquerda, a percepção de que ninguém é "bonzinho" e de que a realidade é uma coisa dura e feia vão se transformando em algo próximo do fascínio.

E, com diferentes níveis de elaboração e de cortesia pessoal, esses autores tendem a fazer do fascínio uma estratégia de choque.

Quanto mais chocarem o pensamento corrente (que considera ruim bombardear crianças e bom defender a Amazônia, por exemplo) mais ganharão em originalidade, leitura e cartas de protesto. Parece existir uma competição nas páginas dos jornais e na internet para ver quem conseguirá ser o mais "durão", o mais "realista", o mais desencantado.

Há diferenças notáveis de atitude e de opinião entre pessoas como Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, Demétrio Magnolli ou Reinaldo Azevedo. Mas é um time e tanto, e minha experiência pessoal com a violência do ser humano, adquirida nos pátios de recreio do ginásio, é suficiente para não querer polemizar com alguns deles.

Não vou, portanto, individualizar as minhas críticas. Mas, de modo geral, os "durões" do mundo opinativo parecem correr um mesmo risco. A crítica às utopias do século 20 faz sentido, com certeza, mas termina funcionando para justificar muitos erros e abusos do presente -desde que sejam suficientemente "não-utópicos". Será chamado de ingênuo ou nostálgico todo aquele que quiser algo melhor do que o mundo em que se vive.

Nem todos os "durões" de que falo abdicam desse "melhorismo". Mas ai de quem tiver ideias um pouquinho mais à esquerda do que as deles -o que não é difícil.

Às vezes, a crítica ao stalinismo se compraz em tornar stalinista quem se afaste um milímetro das opiniões de quem a professa. Outras vezes, a crítica às velhas utopias tende a se transformar numa glorificação da realidade.

Curiosamente, então, aquilo que deveria ser ponto de partida se torna ponto de chegada. O mundo é horrível e a realidade é cruel. É um ingênuo quem quiser mudar essa situação. O horror e a crueldade fazem parte da paisagem. Melhor assim, quem sabe: nós, pelo menos, tiramos disso a satisfação de não sermos ingênuos.

Você está esperançoso com a vitória de Obama? Ouço um risinho: que otário. Mas fico feliz de nunca ter sido otário a respeito de Bush. Você se choca com as crianças mortas em Gaza? Ouço um risinho: os militares israelenses entendem mais do problema que você.

Você quer que se preservem as reservas indígenas da Amazônia? Mais um risinho: os militares brasileiros entendem mais do problema que você, que pensa ser bonzinho mas é tão malvado como todos nós.

Pois o ser humano é mau, desgraçado e infeliz, desde que foi expulso do Paraíso. Você não sabe disso?

O que sei é algumas pessoas foram expulsas do Paraíso para morar numa mansão em Beverly Hills, e outras para morar em Darfur. Todo o poder aos poderosos, toda realidade aos realistas, e todas as bombas para quem ficar no meio do caminho. Eis o resumo da atitude dos "durões". Mas quem precisa de articulistas num mundo desses? Os militares dão conta do recado.

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Now playing: Miles Davis - Blue In Green
via FoxyTunes

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

logoff (desconectado)

=)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Música boa para degustar

Nas andanças pela net, encontrei hoje uma página onde um músico francês disponibiliza compilações que ele faz com raridades que ele possui em LP.


O interessante é que, com o gosto musical bastante variado indo do jazz ao funk, a música brasileira é muito bem representada e ele particularmente gosta. Uma das ótimas compilações que ele disponibilizou é a chamada Funky Brazil Electro, que tem entre belezuras musicais: Gil, Novos Baianos, Tim Maia, Milton e Lô Borges, Djavan, Carlos Dafé (que tive a honra de ver no Noise do ano passado, com o Coletivo Instituto) entre outros muitos. Cada linha de baixo mais swingada e quebrada que outra.

Impressionante como tantas pessoas conseguem, tranquilamente, se ater ao seu gosto musical formado, sua segurança, impedindo a alma de beber de outras fontes (isto quando não se percebe um disfarçado preconceito com a música tupiniquim, espírito pequeno de Coloniado que vinga até hoje...)

Ps: a foto foi roubada do post do Prayve
cuja página é esta aqui:

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Now playing: Tim Maia - Guiné Bissau, Moçambique e Angola Racional
via FoxyTunes

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Strike! (ou como botar as garras de fora)





"Nós não vamos pedir desculpas por nosso estilo de vida nem vamos hesitar em defendê-lo."


Barack Hussein Obama II

em seu discurso de posse como 44º presidente dos EUA.



Ps: mas que oratória! E que pessoa.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

As verdades por trás das mentiras


Temos de ser capazes de ver a verdade por trás das mentiras


Norman Finkelstein, Counterpunch, 13/1/2009
http://www.counterpunch.org/neumann01132009.html

Norman Finkelstein é autor de cinco livros, entre os quais Image and Reality of the Israel-Palestine Conflict, Beyond Chutzpah and The Holocaust Industry, traduzidos para mais de 40 idiomas. Esse artigo está publicado também em sua página internet, em www.NormanFinkelstein.com

Os registros existem e são muito claros. Qualquer pessoa encontra na internet, na página do governo de Israel e, também, na página do ministério de Negócios Exteriores de Israel. Israel desrespeitou o cessar-fogo, invadiu Gaza e matou seis ou sete (há controvérsia quanto ao número de assassinados, não quanto ao crime de assassinato) militantes palestinenses, dia 4/11. Depois, o Hamás respondeu ou, como se lê nas páginas do governo de Israel "o Hamás retaliou contra Israel e lançou mísseis."

Quanto aos motivos, os documentos oficiais também são claros. O jornal Haaretz já informou que Barak, ministro da Defesa de Israel, começou a planejar o massacre de Gaza muito antes, até, de haver acordo de cessar-fogo. De fato, conforme o Haaretz de ontem, a chacina de Gaza começou a ser planejada em março.

Quanto às principais razões do massacre, acho, há duas. Número um: restaurar o que Israel chama de "capacidade de contenção do exército" e que, em linguagem de leigo, significa a capacidade de Israel para semear pânico e morte em toda a região e submetê-la mediante a pressão das armas, da chantagem, do medo. Depois de ter sido derrotado no Líbano em julho de 2006, o exército de Israel entendeu que seria importante comunicar ao mundo que Israel ainda é capaz de assassinar, matar, mutilar e aterrorizar quem se atreva a desafiar seu poder pressuposto absoluto, acima de qualquer lei.

A segunda razão pela qual Israel atacou Gaza é culpa do Hamás: o Hamás começou a dar sinais muito claros de que deseja construir um novo acordo diplomático a respeito das fronteiras demarcadas desde junho de 1967 e jamais respeitadas por Israel.

Em outras palavras, o Hamás sinalizou que está interessado em fazer respeitar exatamente os mesmos termos e conceitos que toda a comunidade internacional respeita e que, em vez de resolver os problemas a canhão e com campanhas de mentiras por jornais e televisão, estaria interessado em construir um acordo diplomático.

Aconteceu aí o que Israel poderia designar como "uma ameaçadora ofensiva de paz chefiada pelos palestinenses". Imediatamente, para destroçar a ofensiva de paz, o governo e o exército de Israel desencadearam campanha furiosa para destroçar o Hamás.

A revista Vanity Fair publicou, em abril de 2008, em artigo assinado por David Rose, baseado, por sua vez em documentos internos dos EUA, que os EUA estavam em contato estreito com a Autoridade Palestinense e o governo de Israel, organizando um golpe para derrubar o governo eleito do Hamás, e que o Hamás conseguira abortar o golpe. Isso não é objeto de discussão: esse fato é estabelecido, documentado e há provas.

A questão passou a ser, então, impedir o Hamás de governar, e ninguém governa sob bloqueio absoluto, bloqueio que desmantelou toda a atividade econômica em Gaza. Ah! Vale lembrar: o bloqueio começou antes de o Hamás chegar ao poder (eleito!). O bloqueio nada tem ou jamais teve a ver com o Hamás. Quanto ao bloqueio, os EUA despacharam gente para lá, James Wolfensohn especificamente, para tentar pôr fim ao bloqueio, depois de Israel ter invadido Gaza.

O xis da questão é que Israel não quer que Gaza progrida, sequer quer que viva, e Israel não quer ver nenhum conflito encaminhado por vias diplomáticas, que tanto os líderes do Hamás em Damasco, quanto os líderes do Hamás em Gaza têm repetidas vezes declarado que buscam, sempre com vistas a resolver o conflito relacionado às fronteiras demarcadas em 1967, fronteiras que Israel jamais respeitou. Tudo, até aí, são fatos registrados e comprovados. Não há qualquer ambigüidade: tudo é bem claro.

Todos os anos, a Assembleia da ONU vota uma resolução intitulada "Solução pacífica para a questão da Palestina". E todos os anos o resultado é o mesmo: o mundo inteiro de um lado; Israel, EUA, alguns atóis dos mares do sul e a Austrália, no lado oposto. Ano passado, o resultado da votação foi 164 a 7. Todos os anos, desde 1989 (em 1989, o resultado foi 151 a 3), é sempre a mesma coisa: o mundo a favor de uma solução pacífica para a questão da Palestina; e EUA, Israel e a ilha-Estado de Dominica, contra.

A Liga Árabe, todos os 22 Estados-membros da Liga Árabe, são favoráveis a uma chamada "Solução dos Dois Estados", com as fronteiras determinadas em junho de 1967. A Autoridade Palestinense é favorável à mesma "Solução dos Dois Estados" e às mesmas fronteiras determinadas em junho de 1967. E o Hamás também é favorável à mesma "Solução dos Dois Estados" e às mesmas fronteiras demarcadas em junho de 1967. O problema é Israel, patrocinado pelos EUA. Esse é o problema.

Bem... Há provas de que o Hamás desejava manter o cessar-fogo; exigiu, como única condição, que Israel levantasse o bloqueio de Gaza. Muito antes de começarem os rojões do Hamás, os palestinenses já enfrentavam terrível crise humanitária, por causa do bloqueio. A ex-Alta Comissária para Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson, descreveu o cenário que testemunhou em Gaza como "destruição de uma civilização". Isso, durante o cessar-fogo.

O que se vê nos fatos? Os fatos mostram que nos últimos mais de vinte e tantos anos, toda a comunidade internacional procura um modo de resolver o conflito das fronteiras de 1967, com solução justa para a questão dos refugiados. Será que 164 Estados-membros da ONU estão sempre errados, e certos e pacificistas seriam só EUA, Israel, Nauru, Palau, Micronésia, as ilhas Marshall e a Austrália? Quem é pacifista? Quem trabalha contra a paz?

Há registros e documentos que comprovam que, em todas as questões cruciais discutidas em Camp David; depois, nos parâmetros de Clinton; depois, em Taba, em cada ponto discutido, os palestinenses sempre fizeram concessões. Israel jamais concedeu qualquer coisa. Nada. Os palestinenses repetidas vezes manifestaram decisão de superar a questão das fronteiras de 1967 em estrito respeito à lei internacional.

A lei também é claríssima. Em julho de 2004, a Corte Internacional de Justiça, órgão máximo da ONU para questões de direito internacional, declarou que Israel não tem direito de ocupar nem um metro quadrado da Cisjordânia nem um metro quadrado de Gaza. Israel tampouco tem qualquer direito sobre Jerusalém. O setor Leste de Jerusalém, os bairros árabes, nos termos da decisão da mais alta corte de justiça do planeta, são território da Palestina ocupado ilegalmente por Israel. Também nos termos de decisão da mais alta corte de justiça do planeta, nos termos da lei internacional, todas as colônias de judeus que há na Cisjordânia são ilegais.

O ponto mais importante de tudo isso é que, em todas as ocasiões em que se discutiram essas questões, os palestinenses sempre aceitaram fazer concessões. Fizeram todas as concessões. Israel jamais fez qualquer concessão.

O que tem de acontecer é bem claro. Número um, EUA e Israel têm de se aproximar do consenso da comunidade internacional e têm de respeitar a lei internacional. Não me parece que trivializar a lei internacional seja pequeno crime ou pequeno problema. Se Israel contraria o que dispõe a lei internacional, Israel tem de ser acusada, processada e julgada em tribunais competentes, como qualquer outro Estado, no mundo.

O presidente Obama tem de considerar o que pensa o povo dos EUA. Tem de ser capaz de dizer, com todas as letras, onde está o principal obstáculo para que se chegue a uma solução para a questão da Palestina. O obstáculo não são os palestinenses. O obstáculo é Israel, sempre apoiada pelo governo dos EUA, que, ambos, desrespeitam a lei internacional e contrariam o voto de toda a comunidade internacional.

Hoje, o principal desafio que todos os norte-americanos temos de superar é conseguir ver a verdade, por trás das mentiras.

Norman Finkelstein

sábado, 10 de janeiro de 2009

Novo cd da DMB

O novo cd da Dave Matthews Band vai ser lançado no dia 14/04 em um puta show no Maddison Square Garden, em NY, o primeiro da spring/summer tour 2009 deles.

O álbum do que com certeza vai ser uma nova fase da banda: o primeiro após 4 anos de inéditas, o primeiro após a partida de um integrante original, o primeiro em uma nova conformação mundial, em um mundo algo diferente de 2005.

Junto à eles, Tim Reynolds na guitarra, Rashawn Ross no trompete e Jeff Coffin no sax. Jeff substituíu o primeiro fundador dessa banda espetacular a deixá-la. No caso, cataploft: Leroi Moore, nosso querido saxofonista grandão, caladão e tímido (sempre tocava de óculos escuros) morreu em agosto do ano passado, numa quarta-feira fatídica pra mim.

(O ano de 2008 aliás, como vimos nestas páginas digitais, foi difícil pro autor destas mesmas linhas. Além do Leroi, outras duas constantes cosmológicas sumiram: Esbjörn Svensson, em junho, e em setembro, encerrando com qualquer mínima esperança que existira neste pequeno coração de algum dia ver o Pink Floyd ao vivo, Richard Wright vai embora)

Jeff Coffin foi ordenado como novo integrante da Dave Matthews Band. Todos eles, me desculpem, eu 'conheço de perto' =D. Não consigo ainda nem mensurar a importância que foi vê-los ao vivo no Rio de Janeiro em 2008. Cada dia percebo mais e mais como aquele evento espetacular foi importantíssimo para a minha vida.

O Tim é um baixinho de cabelo comprido e grisalho, mas tão grisalho, e velho que difícil não é compará-lo ao Keith Richards (tanto na capacidade monstruosa de sobreviver às drogas quanto, ouso dizer mais, na música!).

O Rashawn não dá pra falar. O bicho é um puta dum armário 3 por 4! O cara é uma montanha que não se move, só consegue tocar aquele trompete. De certo modo, ele não estava muito espirituoso no dia do show. Estava mais, estava emocionado. Lágrimas escorriam quando fizemos as várias homenagens ao seu puta amigo Leroi, que conviveu com ele tantos anos.

Agora o Jeff tava encapetado. Enquanto Leroi possuía um estilo de tocar mais layback, mais "relaxado", da sua formação musical mais soul, melódica que te trazia mais o foco da calma, o Jeff é mais enérgico, mais inebriante, virtuoso - Você: vibra!

Pois é, depois disso tudo e tals, a verdade é a seguinte:

Alguem me dá de aniversário?
Hein?
=D

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Lydda e Ramla

Para comprender o conflito atual, que se perde infelizmente entre tantos outros da existência Arab-Israeli, faz-se necessário uma exaustiva análise histórica (o que não farei aqui). Qualquer opinião pouco fundamentada norteada pelo (desculpem-me o trocadilho) bombardeio de notícias d'última hora que temos se torna leviana. Digo porque creio haver muito mais do que o exposto na mídia: a desproporção blatante da força bélica israelense, a contagem de mortos aos pulos de dezenas a cada ogiva de artilharia, ou as palavras que são proferidas nas arenas da linguagem, dos discursos, dos debates: vítimas; direito; dever; contra-ataque; aviso; etc e mais etc. De tudo o que está exposto, o que não é visto se torna essencial.

Em 1948 a história oficial que nos enfiam perpetuada pelo governo israeli e particularmente pelos estúpidos de plantão, conta que os palestinos "fugiram voluntariamente" de suas casas, fazendas e plantações, de seus animais suas parcas indústrias para os países vizinhos, árabes, e que foram acolhidos. É desta época a criação do estado de Israel.

Para tornarem crível esta lorota, é dito que os governos dos países vizinhos árabes realizaram transmissões de rádio dando boas vindas aos palestinos, defendendo a criação da área definida pela ONU para Israel. Coisa que, de fato, nunca ocorreu.

Existiam duas cidades na Palestina: Lydda e Ramla. Cidades estas com cerca de 100 mil habitantes. A ocupação de Israel foi, no mínimo, brutal: Yitzhak Rabin, o então comandante da operação, desaloja a pouca resistência da causa palestina e fez com que milhares (as contagens giram em torno de 70 mil) de pessoas caminhassem, durante o verão do deserto até cidades mais próximas, distantes quarenta quilômetros. Milhares, milhares de pessoas morreram no deserto, de sede e fome.

Vê-se que a desproporção é tônica e fundamental na política israelense; o terrorismo alestino como forma de 'sobrevivência' não eleva ou gera qualquer resultado político neste contexto; desrazão que é impressa nas páginas esquecidas, e das que ainda serão escritas, da história.

Alguns fatos, retirados daqui, aqui, e fortemente baseados na análise de Illan Pappé.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Exit Music

Preocupado
em escrever algo
para fechar o ano...

Não percebi
que ele havia
chegado ao fim.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tudo vai dar certo, meu amigo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Recesso







Final de semestre ...
semana de provas...

Volto logo em seguida!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Sociedade do Espetáculo - 13

13

O caráter fundamentalmente tautológico do espetáculo decorre do simples fato de os seus meios serem ao mesmo tempo a sua finalidade. Ele é o sol que não tem poente, no império da passividade moderna. Recobre toda a superfície do mundo e banha-se indefinidamente na sua própria glória.

domingo, 30 de novembro de 2008

Aforismos - I

I

Às vezes, sinto falta de uma conversa existencial. Das que compartilhamos as experiências, sem nenhum assunto específico. Lentamente expondo nossos receios e vivências, sem necessidade de impor o quanto achamos que somos bons; ou reconhecer o quanto não gostaríamos que os outros fôssem.