terça-feira, 28 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Chegaremos às Índias, meu capitão?
terça-feira, 21 de outubro de 2008
O gato vadio
Pusilânime.
Talvez aí residissem os problemas na convivência. Por que se angustiar com as pequenas coisas... Mas não somente; o que se observava (ou só se observava) eram os pequenos acintes da vida cotidiana. O desviar a atenção, resvalar com o ocorrido e deleitar-se, como tudo isso era difícil (lembrávamos...) em certos dias na vida.
Dias que se prenunciavam serenos. Mas não. Algo de brilhante conseguia destruir a pretensão inútil do equilíbrio. Seriam sintomas de alguma doença? Mede-se o pulso: o que hoje habita incontinenti também se cansará.
Tudo porque aquele gato vadio, que se esgueira sempre pelo muro, desceu a terra. Primeiro, olhava de soslaio, o deslizar vagaroso sobre o fio que fundava e estancava as divisões da propriedade. Fingia que não era com ele, eu absorto em meus polegares, quando saltou à pilha de tijolos, o barro cozido aguardando o retomar da obra, das reformas, da ampliação e da demolição.
Agora repousa ao meu lado, ronrona baixo. Pensamos juntos, eu e o gato. Ele, não sei o que pensa. Possui aquela consciência de ser uno com o universo, coisa que abdicamos tempos atrás quando descemos das árvores e fomos experimentar as savanas. Eu, ainda penso no muito que ganhamos, sentindo falta do que perdemos, com esse gambito.
Now playing: Esbjörn Svensson Trio - 'Round Midnight
via FoxyTunes
terça-feira, 23 de setembro de 2008
A headstone (pour le passé des moments difficiles)

All that you see
All that you taste
All you feel.
All that you love
All that you hate
All you distrust
All you save.
All that you give
All that you deal
All that you buy,
Beg, borrow or steal.
All you create
All you destroy
All that you do
All that you say.
All that you eat
And everyone you meet
All that you slight
And everyone you fight.
All that is now
All that is gone
All thats to come
And everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon.
matter of fact its all dark.)
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Now playing: Pink Floyd - Echoes
via FoxyTunes
domingo, 31 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
"And I knew it was a dream"
Posso, talvez, tentar, agora que já se passou tanto tempo, reconstituir a cinemática daquele movimento contido, os passos medidos, o bater dos saltos no cimento riscado; muito embora tudo exposto é quase certo que esta própria imagem que possuo daquele quadro, firme inscrita em algum ponto vago de minha mente, esteja banhada de tons que não me remetem à estética que tanto admirei, ao ponto de achar como o melhor quadro em movimento que já havia visto em toda a minha vida.
Se me lembro das luzes dos postes? Pudera ser daquelas que atraem garbosas aleluias após as primeiras chuvas de verão: suas pequenas asas se soltando após o impacto com a lâmpada quente; o etéreo vapor que surge no momento do sublimar de suas pequenas antenas; enfim, a queda solitária destes Ícaros tão substanciais e tão ignorados por nós.
Não creio. Pela imagem que teima em trepidar quando fecho meus olhos à noite, acho que eram luzes brancas: inertes, profiláticas, sanitárias. Mais que isso: luzes que, num jogo de esconde e surge, delimitavam muito bem o passeio na qual ela desfilava.
Foi poucos dias antes da morte de meu pai.
Eu já havia a visto algumas vezes pelos corredores. Não havia chamado a minha atenção de pronto, embora fosse linda, de feições delicadas, mas olhar forte. Decididamente, era uma das mais belas de nossas salas.
Ocorre que, à época, eu pensava em outras coisas: coisas que me impediam de todo a despertar. Filosofava em esquinas e beiradas, no mundo lírico que desatava em mim os maiores sentimentos que já sentira, disso eu tinha certeza.
Aliás, minto. Embora te confesse isto, hoje vejo como tudo é apenas romantismo. E é justamente este mesmo romântico que me acossa no agora, quando tento revisitar esta pequena nódoa de passado que navega em meus sonhos.
Aquele dia, em especial, seria como todos os outros. Exceto porque ela estava em minha sala. Donde podia observar o quarto da mulher das cortinas do outro lado da rua: janelas largas donde ela abria e fechava as cortinas de forma incessante, fazendo as vezes de obturador.
Um pouco antes, certo dia, eu conseguira ser alcançado pela mulher das cortinas, enquanto atravessava as ruas para a biblioteca. Ela se apossou do meu lado, me espiando com uns olhos frios. Um calafrio percorreu-me com aquela vista tão cristalina, tão contundente. Permiti um minuto para que ela tentasse esboçar alguma conversa, embora já soubesse, por outros, que ela nunca falava nada.
Só os olhos me olhavam. Olhos que pareciam vivos, apartados dela. Íris flamejantes que buscavam em cada abertura de minha guarda uma brecha para picotar meus pensamentos. Sentia um incômodo tão grande, que só consegui murmurar um “boa tarde” enquanto me escorregava pra longe daqueles laços. A mulher das cortinas permaneceu no mesmo lugar desde então.
Mas como havia dito, estávamos em minha sala: eu, meus chefes, meus subordinados, e ela. A burocracia que me afastava milhas de todos os meus colegas de trabalho permitiu que, entre a interminável soma de números e projeções, eu conseguisse prestar um mínimo de atenção e vislumbrar seu abandono: no modo como ela arrumava os cabelos atrás da orelha, na displicência do balançar os sapatos na ponta dos dedos enquanto escrevia, no olhar triste que se erguia das folhas e papéis para acompanhar o espetáculo que não merecia sua atenção.
Pouco tempo depois, acho que lembro que ela me olhou. Eu tenho absoluta certeza da cara que de espanto que estaria passando, embora possa estar exagerando. Ali, em pleno árido, a maravilha, única, exuberante, tão oculta porque tão evidente. Sei que com esse olhar, devo ter passado uma impressão de bobo, de perdido. Mas eu estava evidentemente desnorteado. Tão desnorteado que perscrutei os edifícios do outro lado, procurando a senhora da janela com cortinas, mas onde deveria estar seu abre e fecha, encontrei as cortinas fechadas.
As horas transcorriam enquanto eu continuava absorto em minha nova descoberta, a minha nova alegria. Ela não me olhou mais, e hoje duvido que tenha olhado da primeira vez: a lembrança nos prega peças.
O que sei é que o tempo voltou a correr quando os participantes levantaram, dando por encerrada a reunião.
Assustado, eu recompus meus papéis e livros, já que pego de surpresa. Murmurei alguns cumprimentos e apertos de mão frios, em conjunto a tapinhas no ombro que simbolizavam a hipocrisia que operava a sala entre os participantes. Enquanto saíamos, alguns ainda conseguiram me retardar, procurando explicações sobre números que eu não havia dito, nem sobre os quais, ditos por outros, eu prestara o mínimo de atenção. E eu perdi momentaneamente de vista aquela que habitaria meus sonhos pouco tempo depois.
Saindo da sala, nos corredores angulosos, alguns colegas me chamavam para farras e putarias: era sexta-feira. Eu pressupus que, pelo tardar da hora, ela tomaria o rumo da condução, para sua casa, ou para qualquer outro lugar que eu desconhecia e torcia para que não existisse. Porque eu torcia para que eu tivesse lido o concreto, a solidão que existia nela, e que esta fosse sua verdade. Solidão que eu trataria de preencher completamente, sim, este era meu desejo.
Desvencilhando dos vários colegas que se apinhavam em meu caminho, atrasando-me inutilmente, dobrei a curva do último corredor que dava para fora do prédio, rumo ao estacionamento e a condução.
E ali ela caminhava.
Os passos contidos, o movimento medido. Tentei ainda me fazer presente: gracejei alto com uma outra que ali passava, pedindo veladamente sua atenção, com o que ela não olhou pra trás. Mas em meu ser, eu sabia que sua cadência era uma espera pera minha chegada. Nos metros daquele pátio que separavam o estacionamento da condução, ainda tive a presença de espírito de tentar acertar o passo. A distância ora diminuía, ora aumentava. Alguns outros passeavam por ali, chaves de carro na mão, almas finadas. Ela nunca olhou para trás, em nenhum momento.
A distância, que se encurtava cada vez mais, trazia-me para a conclusão íntima de chamá-la, desfecho do filme em câmera lenta. Pouco a pouco, elaborava as frases que usaria para conseguir trazê-la ao meu labirinto: mostrar-lhe alguns caminhos e outros desvios, no emaranhado poético que é a vida. Não sei porque, tive a certeza de que se eu falasse qualquer frase, tudo se encaminharia, aos trancos e barrancos que fosse, mas ali seria o início.
E foi com esta cena: ela flutuando à minha frente, em uma noite sem ventos, onde as luzes frias não conseguiam trazer nenhum calor porque todo o brilho do momento estava concentrando em sua silhueta, e na qual eu caprichosamente, passos atrás, partilhava com o universo a total admiração pelo momento sublime, que aconteceu.
Estanquei. Deixei-a ir.
Se me perguntasses por que, juro, acho que a mentira que contei a mim é que não era um bom momento. Haveria outras chances. A vida sendo tão imensa, não poderia se esgotar naquela perseguição lenta, naquele jogo onde ninguém ganharia nada, só eu teria a perder, mormente eu era o único a jogar. A vida deveria ser maior, mais brilhante que ela, mais movimentada, mais acelerada...
Na verdade, o que me fez acovardar no instante exato foi a imagem que saltou à mente, imagem esta que obnubilou a estética da perfeição que eu estava seguindo. Sem nenhum motivo aparente, fui acometido por uma paralisia tremenda após me lembrar da senhora e suas cortinas.
Seu abrir e fechar incessante; seu obturador perscrutando minha vida inteira da janela ampla de seu quarto; dos olhos que podiam me ler completamente e me julgar por qualquer falha, mínima que seja. A senhora que conseguiu extinguir meu movimento. E eu vendo minha atriz esvaindo-se nas brumas que surgiram lentamente na noite, trilhando seu caminho que eu ainda achava que um dia poderia conhecer.
O futuro foi que não me ocorreu nada disso.
No domingo, soube que meu pai falecera. Viajei à minha terra para seu funeral e para enterrá-lo. Quando voltei, uma semana depois, ela havia partido de nossas salas. Acho que alçara outros sonhos.
Sentia-me tão minúsculo àqueles tempos que nunca perguntei nada a ninguém sobre ela: quem era, seu nome, de onde veio ou para onde foi, qualquer contato.
Quando dei por mim, ninguém mais se lembrava dela em suas vidas.
Isso foi há muito tempo... é bem provável que seja tudo parte do mesmo sonho, que persigo há tanto tempo e, imerso, faça parte; navego por ele, luto por ele, sou constantemente trazido à praia após inúmeros deslizes. Vendo com olhos distantes, não acho que tenha perdido tanto ao extirpar mais esta escolha de minha vida.
O que sobrou? Talvez um quê de como pudesse ter sido.
Mas já não me autorizo a sonhar mais que isso.
"I was flying through space
and I knew it was a dream
cause I never flew before
and the stars were going past me
and the planets were going past me
and I knew it was a dream
cause I never flew before
I went further and further away until I saw this tiny blue planet
and something made me want to go there
and I thought it was a dream
cause I never flew before
and I went down to this little planet..."
Labuta
[13:37]
a bla nsis cm a so nsid a ajdsjks anan
entaosnd ecomaind mediano com rigoso am
sistemacio uijniso laudo periculsoid de
...
[14:52]
Teste de arrumedos e de imiscuir
Entretanto, esclarecendo que a principal razão para a paisagem é
A! o cholumbrático.
[15:12]
Que palavra interessante...
[15:17]
Luminosamente, uma onda se arremessa ao seu destino.
[15:21]
Tenho uma pequena janela de notas
onde junto letras em palavras quase;
quase sempre diferentes
dos significados quase almejados.
Por trás, uma outra
e outra...
e outra...
se expandindo ao infinito.
[15:25]
Meu amor havia dito:
Tome cuidado com as más companhias.
Esqueceu-se, por um momento,
quem eu havia sido; sua má companhia.
[15:37]
Novamente, digito palavras vazias e letras desconexas
Pois outra pessoa passa e inspeciona,
o olhar, descuidado ou vil
perscruta o espaço onde me situo.
[15:40]
"A ciência me protegia daquilo que não queria saber."
[15:48]
O ser humano pode ser tão imbecil ao ponto de imitar um comportamento de outra pessoa. Ilude-se ao crer que este comportamento é sinônimo de segurança.
Resume-se a uma expressão de violência e força.
[15:53]
Mas afinal, é bem provável que para ele o necessário para viver seja justamente isso: agarrar-se a esta ilusão no seu enfrentamento diário do mundo da vida.
[15:54]
Tap tap tap... tip top tipo...
typo...
Não seria tudo um grande erro de digitação?
Não... não há projeto...
[16:14]
Prometo que é a ultima vez que finjo... hoje.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Um dia...
Talvez eu consiga, um dia, revelar quão importante são certas coisas na minha vida.
Que só existem em sua plenitude.
Plenitude ilusória, diga-se de passagem.
Porque, no ínfimo, não há completude.
Se eu conseguir, eu me sentirei muito abençoado...
Porque hoje, eu ....
Obrigado LeRoi...
"It's always easier to leave, than to be left..."
"If I goBefore I'm old
Oh, brother of mine
Please don't forget me if I go"
LeRoi Moore, 1961-2008
Now playing: Dave Matthews Band - #41
Live Trax n. 10, at Lisbon Portugal
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domingo, 3 de agosto de 2008
Se a foto fizesse o político...
Now playing: Dave Matthews Band - When The World Ends
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
The unstable table and the infamous fable
É claro que seria muita pretensão minha entender o por quê da vida. No post anterior, defendi uma teoria de como tornar as coisas mais interessantes, de como tornar o seu quintal em uma planície vasta, em que houvesse uma ríquissima flora de onde poderiam ser obtidas muitos sabores, cheiros e cores.Os que me conhecem percebem que há muito adoto uma postura agnóstica, tendendo ao ateísmo puro. Fruto, em grande parte, de minha formação acadêmica. Dificilmente eu poderia ter saído ileso daquele front, ainda mais imerso, com tanto prazer, em teorias várias, livros e pesquisas tão ímpares, tão eloquentes, tão ... elegantes.
Ainda mais se tratando da Biologia. Minha ciência é um meio termo entre ciências exatas e inexatas. Não possuímos, na maior parte das vezes, as ferramentas que podem nos dar o ponto crítico da prova em que apoiar nossas elaborações, ao contrário da física e a matemática. Mesmo assim, um dos grandes pensadores da humanidade emergiu de nossas fileiras. Darwin, que juntamente com Nietzsche, Marx e Freud, conseguiu desestruturar grande parte da história do pensamento do homem, atingindo de forma contundente suas bases (que foi tratado brilhantemente pelo meu amigo João Franco em um ótimo ensaio, intitulado "O Direito e os Golpes sobre o Narcisismo da Humanidade).
Peço desculpas pelo "meio de campo"... Na verdade, comecei a me perder com muita mais facilidade nos últimos anos. E é justamente sobre isso que eu tento escrever agora. Dentre as várias coisas importantes que me ocorrem, duas me têm tirado do prumo.
A primeira é que, talvez pela primeira vez na vida, eu estou com medo. Um medo grande do futuro. Medo por estar no controle da minha vida totalmente e não poder culpar mais a ninguém pelos "sucessos" e pelos fracassos (Ainda mais porque não defini o que é "sucesso" ainda). Medo porque não me sobra tempo para fazer o que gosto, (e sempre tive muito tempo sobrando) porque me arrisco em uma profissão que nunca pensei que poderia ser (e pra falar a verdade, sempre tripudiei). Mas não só isso.
Porque tive um sonho absurdo esses dias.
Eu sonhei que eu estava parado, talvez em um quarto escuro (meus sonhos são muito caóticos, mas me lembro bastante deles. Do que sobra, costuro...), e estava em pé. Olhava pra uma linha prata em uma tela escura , e essa linha ia se expandindo em várias direções, em vários ramos, uns mais grossos, outros mais delgados. Era uma grande sebe espinhosa que ia se expandindo infinitamente, pra onde ela pudesse preencher no campo neutro e escuro que era seu fundo.
E ali, eu reconheci um ramo destacado, que chamou a minha atenção... era uma linha bem delineada, que seguia vários horizontes, trilhava vários caminhos, contorcia-se e espiralava-se. Alargava... afinava... Até que parava... E depois de algum tempo, enquanto toda a trepadeira se diversificara o bastante, ela retornava o seu crescimento.
Confesso que não cheguei ao final do sonho, pois no meio dele eu reconheci que aquele fio destacado era a minha vida. Acordei com essa imagem na minha cabeça: minha vida e toda a vida do mundo. E quando me dei conta dessa alusão, só consigo me lembrar do tamanho inesgotável da trepadeira em comparação ao pequeno ramo que eu era.
É claro que é ridículo pensar assim ... É puro egocentrismo e narcisismo, querer abarcar todo o mundo, tentar compreender a totalidade da vida, sorver absolutamente o sentimento do mundo.
Mas isso me amedronta. Me amedronta porque não tenho projeto de mim perfeito e acabado, em que eu possa apoiar-me para lutar doravante. Ainda mais quando não tem como acreditar mais em um ordenador, em um provedor, algo superior que possa, se não escrever seu caminho, pelo menos auxiliar em algum momento mais difícil. Por muito tempo eu acreditei nisso, fui criado assim. Hoje, não é mais questão de pouca fé. A fé, esse novelo simbólico que trouxe a maioria das desgraças do mundo, junto com a ganância, não faz parte mais do meu vernáculo.
Eu consegui até hoje me desvencilhar de muitos problemas de minha vida com muita sorte. Os que não consegui e me arrebentaram, eu levo guardado muito fundo, mas não o bastante para que não consigam me atormentar em intervalos muito próximos de tempo.
Essa é a minha fábula infame.
O segundo dos meus tormentos últimos é como acreditar em qualquer tipo de ideal superior? Como desvencilhar dessa criação, dessa forma, dessa lama que sou eu e de onde eu emergi? Como esperar racionalidade onde a emoção e a paixão descontroladas clamam pelos fundamentos de sua infância?
Acima de tudo pra mim, o que antes poderia ainda ter de plano e apoiável, instavelmente desmoronou, como aquele grande bastião de pedra, martelado incessantemente pelos canhões de 24 polegadas de sua nobre majestade, foi reduzido a pó. Assim, mais uma das incontáveis chacinas da humanidade foi feita.
Refiro-me, antes de mais uma divagação, ao fato de que eu só pude conhecer o gênio do qual furto as palavras deste título e também sua imagem após sua morte. Só conheci Esbjörn Svensson depois que ele despediu-se no oceano. Depois de ler a notícia, corri atrás de seus albuns. Nem pude pagar por eles, pois alem de serem difíceis de se achar, era mais fácil procurar na internet.
Não pude prestar nenhuma homenagem a ele quando vivo. Não pude falar seu nome em bom tom em uma conversa de amigos antes que ele se extinguisse. Isso me entristece muito. E somente hoje a ficha realmente caiu.
E caiu de forma avassaladora. Pois hoje percebo que minha fábula infame está intimamente ligada à instabilidade da mesa em que jogo. E relembrando meu sonho, sinto medo e grande pesar por tudo que eu deixo de escapar e que seria maravilhoso pra minha vida.
E sei que não há como retirar estas características, estes adjetivos, sem perder uma grande essência do que fui e do que sou.
Portanto, se de alguma forma eu pudesse consertar algum erro plenamente, eu gostaria de iniciar pedindo perdão e prestando alguma homenagem a Esbjörn Svensson, que morreu aos 44 anos, abraçado pelo mar.
(e continuo a me perguntar: até quando sentirei saudade de tudo que ainda não vi?)
Now playing: E.S.T. - Ballad For The Unborn
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
razorsharp bubbles
Não há mais necessidade de embates filosóficos. Decerto que o modelo ainda é falho, pois humano, mas só necessitamos de ajustar suas condições: pequenos reparos aqui e acolá e tornaremos a sociedade mais justa, tolerante, etc. Aparentemente, com o fim das utopias, não existem antagonismos suficientes para se neutralizar este modelo que, aos olhos do populacho, transmuta-se como o verdadeiro eldorado outrora sonhado. Necessário é trabalhar, receber, poupar, investir, especializar, e, se fores esperto o suficiente, teu assento olímpico está reservado.
Embora esta visão possua força descomunal, há alguns antagonismos muito fortes inerentes ao sistema que podem solapar tais instituições do pedestal onírico na qual situam-se. Há, entretanto, um grande porém: é necessário um grande estofo para que possamos, inicialmente, entender como funciona e qual o sentido da vida. É justamente aqui que podemos entrever um dos principais pulsares que emitem a episteme necessária para tal realização: o pensamento alargado.
Se algum dia eu pudesse humildemente escolher algumas palavras que definissem a espécie humana para um extraterrestre, esta palavra seria só uma: diversidade. Para todo e qualquer sentido, diversidade. Esta diversidade, que é uma característica da energia vital que nos anima e se dispersa pelo pequeno torrão de matéria que circunda a terceira órbita interna de nosso sistema solar, é início da discussão dos sentidos.
Diversidade: possuímos culturas diversas, que geram seres únicos, possuídos por espíritos deduzidos de pequenas estruturas distintas; indivíduos que ao trilhar o caminho inverso, do gene à humanidade, através de famílias, grupos, organizações, imitando a sua própria biologia (teorizada por eles mesmos), transformam toda a cultura e assim, ad aeternum se possível, seguem em mutação.
O antagônico da diversidade é a uniformidade. O uniforme enquadra, disciplina, apara, apresenta. A uniformidade trabalha mais efetivamente as forças a desiderato fim que o caos inerente à diversidade. Na esfera dos conceitos, dos sentidos, do pensamento, a afiada uniformidade imposta penetra e transforma as pessoas em portadores de discursos obsoletos e conceitos antiqüíssimos.
O crucial dos conceitos e discursos é que os mesmos realizam o sentido pessoal de cada um acerca de tudo, principalmente sobre o sentido da vida do portador. Deste modo, conceitos obsoletos e discursos antigos limitam o espírito do sujeito. Contido, o sujeito facilita o processo de dogmatização em sua vida, de sua energia; aprisiona-se a uma pequena, mas satisfeita, bolha de subsistência.
O antídoto a tal movimento é o que Kant, seguindo a linha de Rousseau, realiza com o conceito de pensamento alargado. O pensamento alargado poderia ser discorrido largamente. Por ora, seria necessário entender que o ânimo que procura expandir as fronteiras que limitam o indivíduo a todas as suas camadas presentes, rompendo com sua esfera segura de existência, irrompe-o no vazio, no caos, no novo, no descoberto. Transmuta de tal forma o sujeito que, ao tentar retornar à sua situação anterior, dificilmente se satisfaz com o pouco que ele possuía, o pouco que buscava. Descobre, de forma nietzscheana, os antigos falsos-ídolos e os despedaça defronte a si próprio.
Dínamo expansivo que alarga o pensamento e dilata diretamente o próprio sujeito que pensa. As amarras que ante seguravam-no desatam-se. Realizado e realizando-se, ele aprisiona agora novos conceitos e discursos, possui novos pontos de vista. Consegue, se não compreender, respeitar o outro e amar o Outro, estes símbolos que a psicanálise desvenda tão bem de nossos inconscientes. Criamos um laço empático, maximizamos nossa serenidade e a sabedoria.
Esta passagem do singular para o plural, das concepções ínfimas às mais amplas e complexas, atua afastando o sujeito de seu ponto de partida, sem contudo renegar a sua essência histórica individual. O verdadeiro espírito do mundo é aquele que consegue mudar permanecendo, em essência, o mesmo, agregando experiências e transcendendo a patamares cada vez mais altos em relação aos que não se aventuram e mantém, embora até com uma vida muito diversa, a cabeça e os pés no mesmo chão que nasceram.
Ascender a esta situação requer uma dose muito grande de busca e liberdade. Embora estes pressupostos, a liberdade e a possibilidade da busca, estejam hoje ao alcance de parte infinitamente maior do que estavam em tempos pretéritos, não observamos uma tendência de igual acréscimo à quantidade de sujeitos com espírito livre, sedentos a ampliar sua esfera de vida.
Trata-se, principalmente, do custo alto que é cobrado ao se alargar o pensamento: ampliando seu palco, nos é cobrado ao não se aceitar mais, com tanta tranqüilidade, dogmas.
Grande parte do sujeito é formada em épocas que nem consciência de si mesmo ele possuía. Ao assumir o leme, ele não sabe de quais madeiras foi feito seu casco; os cardamos da vela, são de cânhamo ou seda? As cartas marítimas que apontam tais ilhas, não estão invertidas? Deste modo, somente a experiência de velejar pode destruir concepções (os dogmas) já recebidas ao iniciar a viagem.
Concluindo, o pensamento alargado favorece a diversidade, tecido da existência, produzindo seres mais conscientes de si e dos outros. A vida pode ser expressa em toda sua amplitude possível, a esfera do existir se expande, o prazer é advindo é, imensuradamente, melhor. Este é meu ponto de vista sobre, entre tantos, como deve se viver a vida: a busca incessante de uma amplitude maior de experiências, sensações
Por último, duas observações (mais à guisa de questões): a diversidade não trabalhará a favor da uniformidade, ou seja, servindo de substrato para ser aprisionada em um novo modelo passível de mercantilização?
E ainda, em relação ao espírito alargado: tomando-se consciência da existência deste modo de viver mais amplo, serão muitas as pessoas a sair de sua segurança para trilhá-lo?
Dúvidas existenciais que, somente com o tempo, poderemos responder.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
F19.4 + F20.9
Encaminho as cópias dos prelados da lei em relação aos afetos que atingem toda a população alienígena. Lembramos que tais dados, embora revestidos de autonomia psicanalítica, desenvolvem se em um ambiente eutrófico único, possibilitando a evolução das espécies de conceitos metafísicos, que buscarão amparo melódico nas brumas cadavéricas das pequenas árvores.
Sendo assim, acima de tudo, primamos pelo reconhecimento da autonomia bicameral federativa das republiquetas empoeiradas, situadas ao ermo esquerdo de Rivendell. Não confundir com a ditadura ideática ao norte do Sino Divisor. Estas sim, podem ser consideradas como plenas defensoras totipotenciais da genética da pedra.
Ainda que as populações destas chapadas megalotróficas atenuantes possam ser considerados como detentoras soberanas das mangas-espada sauipenses, muita discussão enfoca-se no aspecto material-espirutualista do kafkianismo burocrático. Claro que nos posicionamos de forma peremptória a favor dessa negação positivista lírica, redacionista E expulsionista.
Outrossim, cremos, cientificamente baseados na ecologia dos besouros, da densidade apriorística zeppelin. Não obstante, quem nunca poderia sujeitar-se trompeticamente às milhas percorridas por eles?
Assim sendo, o embrião ambiental alcoólico herbáceo ressuscitará o prol de uma sociedade profundamente hemipartidade e bucólica.
É claro que tudo isso não passa de algumas boas observações fundamentadas de maneira responsável que visam, eticamente, à finalidade única da sublevação harmônica próprio-senciente. Por isso, caro amigo de copas, tenha isto como verdade fé certificada para sua vida besta.
Ou seria o contrário ?
Haikai do Instante
Também pensando
"estas coisas não ocorrem"
Ocorreram.
De pronto,
sem momento
de antecedência.
O instante:
permutou sua essência da eternidade
pela existência no presente.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Political Compass
Bom, acho que isso ainda existe não é. Eu é que não faço mais =D
De qualquer modo, esbarrei em um bem legal (confesso que gostei bastante do resultado). Chama The Political Compass e faz uma troça com seus ideais politico-sociais. Não é fácil manipular o resultado, algumas perguntas são capciosas, o que dá uma boa idéia de seu "alinhamento".

Assim, um libertário de esquerda? Quê isso, o menino nem anarquista é =P
Na página eles ainda tem uma comparação com alguns dos atuais líderes políticos e como você se sairia perto deles.
Dalai Lama? Sério, gostei desse brinquedinho!Now playing: Megadeth - Reckoning Day
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terça-feira, 29 de abril de 2008
Koan
Nagarjuna: Esta jóia, brilhante e mágica, tem forma ou não?
Kapimala: Você ainda está obcecado por dualismos, "com forma" e "sem forma". Por que você não percebe esta jóia diretamente? Ela não tem forma, nem é sem-forma. Além disso, ela nem mesmo é uma jóia.
Nagarjuna percebe a forma da não-forma, a jóia que não é uma jóia, e realiza o caminho.
(...)
Tenho que estudar...
Tenho que trabalhar!
Tenho que viver.
Energia que se expande e se contrai alucinadamente.
absorve ...
... EMITE!
Sou.
Consciência momentânea.
Que trafega
entre a montaria
e o cavaleiro.
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